Blog

Escrevo sobre temas atuais que impactam a saúde mental, como maternidade, luto, relacionamentos e a saúde mental no ambiente de trabalho, além de explorar conceitos da Psicologia Junguiana de maneira acessível.

Fome de quê?

O que estamos buscando quando comemos de forma descontrolada, como se a comida fosse a única solução? À primeira vista, pode parecer uma pergunta simples, mas ela revela algo muito mais profundo. O que o corpo está tentando nos dizer quando a fome não é realmente física, mas emocional? A compulsão alimentar muitas vezes fala de algo além do alimento, algo que ainda não conseguimos compreender ou expressar.

A compulsão alimentar não é apenas comer em excesso, mas perder o controle sobre o que e quanto estamos ingerindo. Muitas vezes, isso acontece sem que haja fome, até que o desconforto se torne insuportável. O pior vem depois, com a vergonha e a culpa. E, no caso da bulimia, o ciclo se completa com tentativas de compensar esse comportamento, como o uso de laxantes ou o excesso de exercício, sempre na busca de restaurar um equilíbrio que, na verdade, nunca teve a ver com a comida.

A Psicologia Analítica nos ensina que a compulsão não é apenas um distúrbio de comportamento, mas um sinal de algo mais profundo. A fome que sentimos nem sempre é por comida. Pode ser fome de afeto, de conexão, de significado. Muitas vezes, a comida se torna um substituto, preenchendo um vazio emocional ou simbolizando algo que não conseguimos nomear.

A compulsão pode ser vista como uma mensagem do inconsciente, uma forma do nosso psiquismo tentar trazer à tona aspectos nossos que foram reprimidos ou negligenciados. Comer em excesso pode ser uma maneira de buscar algo que nos falta: o cuidado que não recebemos, o amor que não sentimos, a segurança que não tivemos. O alimento, nesse caso, torna-se uma tentativa de integrar uma parte da psique que precisa ser ouvida. É como se a comida fosse uma tentativa de lidar com emoções não resolvidas ou de nos proteger de situações dolorosas. Perguntar-se “fome de quê?” é uma oportunidade de olhar para dentro e explorar essas questões não resolvidas, entendendo melhor o que realmente precisamos.

O caminho para a transformação dessa relação com a comida começa no autoconhecimento. Ao perceber os padrões internos que sustentam a compulsão, podemos entender as emoções e necessidades por trás do comportamento. Esse entendimento nos permite olhar para a comida de uma maneira diferente, não mais como um refúgio, mas como uma oportunidade de cuidar de nós mesmos de maneira mais genuína.

Manuela Falcão

Escritora e Psicóloga

Posts Recentes​

Meu Telefone

+55 (11) 994875932

©Criado e desenvolvido por Nika