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Escrevo sobre temas atuais que impactam a saúde mental, como maternidade, luto, relacionamentos e a saúde mental no ambiente de trabalho, além de explorar conceitos da Psicologia Junguiana de maneira acessível.

Não

Quem nunca se sentiu pressionado a aceitar um convite para um evento social, mesmo quando tudo o que queria era não ir? Por que é tão difícil para nós, adultos, expressarmos nossas necessidades e limites, quando crianças pequenas o fazem com tanta naturalidade? Enquanto uma criança de 2 ou 3 anos prontamente responde “não” para muito do que perguntamos, nós, muitas vezes, nos sentimos compelidos a dizer “sim”, mesmo quando isso nos causa desconforto.

Em nossa cultura, especialmente no Brasil, aprendemos que dizer “não” pode ser interpretado como falta de consideração ou até como uma ameaça ao convívio social. Desde cedo, de forma geral, somos condicionados a evitar conflitos e a corresponder às expectativas dos outros, o que nos leva a reprimir nossas reais vontades. Esse comportamento também pode ser influenciado por papéis de gênero que a sociedade impõe: mulheres, por exemplo, frequentemente enfrentam a pressão social de serem agradáveis e acolhedoras, enquanto os homens podem sentir que a negação pode ser vista como fraqueza.

As emoções que surgem ao tentarmos expressar um “não” são complexas. Sentimentos de culpa, medo de rejeição e até baixa autoestima frequentemente aparecem, dificultando nossa capacidade de afirmar o que realmente queremos. Dizer “sim” automaticamente para evitar esses desconfortos, contudo, também tem consequências: sobrecarregamo-nos com compromissos e obrigações, sentimos esgotamento emocional e, muitas vezes, experimentamos ressentimento com nós mesmos. A longo prazo, esses “sim” forçados podem impactar a qualidade dos nossos relacionamentos, pois deixamos de nos mostrar de maneira genuína.

Então, como podemos romper esse ciclo? Primeiramente, é essencial reconhecer que dizer “não” é um ato de autocuidado e de respeito pelos nossos próprios limites. Pequenos exercícios de assertividade podem ser úteis, como começar com recusas simples em situações cotidianas, sempre que isso estiver alinhado com o que realmente desejamos. Podemos também praticar o autoconhecimento, refletindo sobre o que realmente queremos e o que nos leva a abrir mão disso.

Ao aprender a dizer “não”, não só cuidamos melhor de nós mesmos, mas também construímos relações mais saudáveis e honestas. Cada “não” consciente é um passo em direção a uma vida mais alinhada com seus valores e limites.

Manuela Falcão

Escritora e Psicóloga

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