Cada vez mais se fala sobre tornar a maternidade mais realista, deixando de lado as expectativas idealizadas. Mesmo assim, inúmeras conjunturas sociais nos fazem perseguir uma ideia de perfeição quando se trata de ser mãe. É fundamental reconhecer que a maioria das mães, em algum momento, sente-se imperfeita, incapaz, culpada ou até mesmo “má”. No entanto, grande parte dessas mães esta, na verdade, desempenhando um papel suficiente.
Particularmente, gosto muito desse conceito da psicanálise: ‘’mãe suficientemente boa’’. Ser “suficientemente boa” não é ser perfeita, mas sim boa na medida certa. A imposição da perfeição é perigosa, pois nos faz querer atingir 100% de tudo o que é ideal ou positivo, ignorando que nada na vida é assim. Essa ambivalência é parte integrante de nossa existência, e a maternidade não é exceção.
O problema da busca por um “completamente bom” é que ela empurra o que é “errado” e “imperfeito” para o fundo da psique. Nos contos de fadas, essa parte “errada” da mãe é personificada com exagero pela madrasta, que sempre aparece como uma figura cruel. Essa divisão é uma maneira de projetarmos fora o que não queremos aceitar em nós mesmos. Mas, na realidade, reconhecer essa imperfeição não torna a mãe “ruim” ou “má”; torna-a humana.
A pressão sobre as mães para se dedicarem completamente, serem impecáveis gera uma sensação de fracasso e aumenta a carga emocional e mental da maternidade, alimentando a bola de neve do estresse e da culpa. Quando uma mãe se cobra para ser perfeita, ela pode acabar negligenciando suas próprias necessidades internas.
Portanto, é essencial repensarmos nosso conceito de “sucesso” na maternidade. O que significa ser uma boa mãe? E se, ao invés de nos concentrarmos na perfeição e em atender a todas as expectativas externas, nos perguntássemos: “Como posso ser boa o suficiente para o meu filho e também para mim mesma?”
Concluir que ser “suficientemente boa” é o que realmente importa pode trazer alívio. A mãe vai errar ocasionalmente, faz parte. O importante é reconhecer esses momentos, aprender com eles e continuar em frente. Como sociedade, é nosso papel apoiar as mães a exercerem uma maternidade que, embora imperfeita, seja saudável, equilibrada e genuína.
